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Blog de Artistas de Itarare Cidade Poema
 


EM NOME DO FILHO

 

Poema Para  

 Thiago Frederico Alvim Correa Leite

 

 

Ah meu filho THIAGO FREDERICO, terás que me perdoar!

Não te carreguei no colo, nem troquei tuas fraldas

Sequer corri atrás de tua febre auroral, ou te ensinei minhas malucas canções tristes de trilhas desumanas

Sequer brinquei de bolinha de gude ou pipa contigo

Nem contei histórias para que dormisses em paz

Porque a vida me levou de ti e eu fiquei órfão de filho...

 

Na noite escura de minha alma, eu pobrinho também sofri

Lutei muito para conseguir um lugar ao sol sem sol

E quando a vida nos apartou; eu fiquei à margem do caminho...

E a vida também te magoou tanto, te cobrou demais, e agora me apareces assim

Como uma luz de emergência no meu coração partido; o bendito filho...

 

O que fizeram de ti? O que fizemos de nós? As ruas da amargura...

E a culpa dos pais; que não soubemos de cuidar, e agora ouço

Meu coração amargurado tentando reconstruir esses caminhos, porque o encontro

Teve uma asaluz que pela mão de Deus intermediou esse retorno

Para um pai saudoso, doente e ainda mais triste; que não sabe o que fazer de abraços perdidos, dos cálices de ausências

Porque em nome do Filho de Deus retornas e temos

Que resgatar essas lágrimas, essas feridas, entre abraços e a consagração do amor como o melhor milagre, o melhor remédio...

 

Passei a vida inteirinha escrevendo poemas-filhos

Lidando com alunos-filhos; sobrinhos filhos... E nos poemas

Divaguei sonhos, cantagonias, errações; plantei canteiros, e agora me apareces

E sei que posso te tocar, te dar o afeto que se encerra no meu peito

E seguiremos sabendo que podemos contar um com o outro

Até finalmente um dia eu ser recolhido como sucata para ser reciclado e  então me continuarás

E dirão que terás a minha cara, a minha coragem, o meu instinto de sobrevivência

E o meu senso agudo de clamar por justiça ainda que tardia

Como elos da mesma corrente que finalmente se encontram, se ligam e no amor e na dor terão que se sustentar um no outro

 

O abraço que não te dei: o amparo impossível pelos descaminhos do longe, muito longe

E agora te encontro e agora terei que tardiamente aprender a ser pai; terás que me ensinar, meu filho

A tirar as amarras de tuas tristezas, caminhar contigo, correr da chuva... brincar com meus velhos carrinhos quebrados

E com meus dinossauros que, como eu, decoram estantes vazias

Porque és meu filho, porque sou teu pai, e, Em Nome do Filho teremos que prosseguir juntos

Nas alegrias e nas tristezas, nas perdas e nos danos; duas almas tristes tentando barulhanças e contentezas

Porque a vitória com lágrimas é santificada na convivência de aprendermos um com o outro

Como ser e como não ser, para sermos pais e filhos

Ao lado de minha Musa Rosangela que também te acolhe e te abençoa com ternura maternal...

 

Ah Thiago Frederico; meu filho com nome de santo como diz a velha balada

Como eu queria que não fosse assim; eu seria um pai cobrador, chato, queria que estudasses, trabalhasses, que fizesses o melhor

(Os Corrêas tem essa luz e cruz: sobrevivem... e Vencem...)

E caminharíamos cada um pela mão do outro

Como temos ainda que tentar fazer agora; recuperar o tempo perdido...

Nunca é tarde demais – podemos reconstruir essa estadia unidos

Porque carregas minha alma nau; e minha vida fecha um ciclo, em ti e em teu nome se completa agora

E teremos que conviver em paz com isso... conviver ... conviver...

Pai e filho salpicados de lágrimas juntos novamente

Assim na terra como no céu

E seremos pais e filhos desaprendidos de serem pais e filhos

Que se completarão um no outro... que aprenderão um com o outro

E junto construiremos uma estrada de tijolos amarelos muito além de Itararé, muito além de nós mesmos

E nos fortaleceremos um no outro

A lágrima e a luz formando aquilo que teremos juntos e para sempre:

Um Lar!

 

-Você terá um lugar para chamar de seu

E eu finalmente terei de volta o sangue do meu sangue

(Entre suor e lágrimas) para chamar de

 

MEU FILHO...

 

-0-

Silas Correa Leite



Escrito por artistasdeitarare às 16h36
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