
Sonhos de Uma Criança em Itararé Eu era o menino Que sonhava incendiar barcos de papel de pão Assumir a bússola, o sextante, o timão E com a nave louca desgovernada Ganhar o corrimão da enxurrada...
Eu era o guri Que olhando o céu de Itararé tão infinito Ainda assim fazia pito-carito Pois eu tinha um sonho altaneiro, bonito De ser poeta, vencer, ter floração Muito além daquela constelação Eu era um piá Em Itararé – a beira do Paraná Que tinha loucas ilusões, fantasias... Em deixar a terra-mãe onde canta a sabiá E todas as minhas conquistas e vitórias teria Vivendo de cervejas, de serestas e de poesia... Mas veio a baldeação da florada da vida O curumim sentindo fome e a alma dividida Garrou o mundo em busca de diploma, arco-íris, anel Mas sofrido descobriu-se um dia de luta descabida Que ainda é só aquele pobre menino do barco de papel E o incêndio é a saudade de uma distante Itararé querida! Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br Blogue: www.porta-lapsos.zip.net
Escrito por artistasdeitarare às 14h44
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Escrito por artistasdeitarare às 14h41
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Foto Silas Correa Leite do Estúdio/Ateliê do Artista Pinguim Santana de Itararé-SP, Cidade Poema
Águas e Turvações – (Desvarios Letrais, O Retorno) Quem muito pergunta, acaba perseguindo a sua própria sombra Não apresse seu rio interior. Ele corre sozinho. Não force a visão na água. O narciso pode ter medo do espelho Castelos na água: areia na alma Na angústia de chegarem em terra firme, muitas morrem antes de ver o espetáculo da busca em mar aberto Quem está na chuva não pensa em se coçar A água é sólida para o vento Quem lamenta muito, pode perder as deliciosas visões do caminho Quem agita muito as águas, quer visões turvas da água, do ar e da alma Não basta chegar lá. É preciso amar a caminhada, estar de corpo e alma nela Não se pode esperar muito de sementes lançadas na água Ande com os bons e serás um dele. Ande com os maus e serás prisioneiro de lamentos futuros Água mole em pedra dura, tanto bate que vira rota As coisas simples na água se acomodam Águas que se encontram, são como amores impossíveis: arrebentações Da água viemos ao pó voltaremos. Somos um corpo líquido em risco entre uma coisa e outra Águas turvas geram cavalos selvagens no espírito Águas que riem não ficam paradas. Desatam cisternas íntimas Quem levanta sede, nunca bebe água límpida Tempestades em corpos de água: poetas etílicos -0- Silas Correa Leite – Santa Itararé das L|etras E-mail: poesilas@terra.com.br Blogue: www.portas-lapsos.zip.net
Escrito por artistasdeitarare às 15h40
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Receita de Pai Para a memória de meu Pai Antenor Correa Leite E de meu Sogro Roberto de Passos Silva Às vezes arteiro... Às vezes filósofo Às vezes severo... Às vezes anjo Às vezes sanção... Às vezes brincalhão Às vezes quadrado... Às vezes artista Às vezes saudoso... Às vezes futurista Às vezes profeta... Às vezes guerrilheiro Às vezes sonhador... Às vezes implicante Às vezes músico... Às vezes pessimista Às vezes amargo... Às vezes manteiga-derretida Às vezes cobrador... Às vezes carinhoso Às vezes pateta... Às vezes casamata Às vezes poeta... Às vezes exigente Às vezes pacificador... Às vezes errado Às vezes roqueiro... Às vezes romântico Às vezes solidário... Às vezes solitário Às vezes ombro amigo... Às vezes emperrado Às vezes palco... Às vezes janela Às vezes referencial... Às vezes amargurado Às vezes anjo da guarda... Às vezes hidrante Às vezes perfeito... Às vezes inseguro Como uma criança como um menino Exatamente como um FILHO -0- Silas Correa Leite – Agosto, 9, 2009 E-mail: poesilas@terra.com.br Blogue: www.portas-lapsos.zip.net
Escrito por artistasdeitarare às 15h37
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