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Blog de Artistas de Itarare Cidade Poema
 


A Lição do Lápis Com Borracha

Para Paulo Cesar de Castro, Porto Alegre-RS


Colhe as flores mas larga-as
Das mãos mal as olhaste
Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio!

Fernando Pessoa


Lembra-te daqueles tempos, em que os lápis da marca Castelo
Vinham te permitir construir sonhos e escadas para o alto?
Desenhar era só deixar correr o traço, o risco, e tu ali, pueril
No Grupo Escolar colhia as primeiras letras, sons e palavras...

Lembra-te quando erravas, e a professora ensinava o certo
Que teu peito pueril medrado se afogava em floração de lágrimas?
Mas a mestra vinha e te tocava com um afeto cheio de graça
Que eras de novo um canteiro para muito bem ser semeado

Pois lembra-te ainda, quando escrevias as tortas vogais
Quando soletravas o caminho suave das primeiras aulas?
Então o pito da mestra, aqui e ali; pois quem ama corrige
E o pito-carito de um pirraceiro a rir de ti e das acontecências

Pois um dia a professora de olhar de cor do céu e mãos de anjo
Mostrou-te o outro lado do lápis: feito uma metáfora
A qualquer momento da vida, nas trilhas e nas vicissitudes
Poderias refaze o caminho, apagar, recomeçar, tentar de novo

Essa é a lição da vida, a Lição do Lápis com Borracha
Aprendemos; lucros e perdas, cantagonias e louvações
Mas há uma força que nos alerta, um mestre universal
Um anjo-da-guarda que volta de novo para nós e nos provê

Aprendeste assim a lição da primeira infância e refletes
Refazes os planos, ouve amigos, sonhas, labuta, espera
Tudo de novo, apagando desacertos e os erros das tentativas
Na sábia lição de tentar sempre para aprender técnicas de voos

Por onde fores, piá, guri, curumim, moleque, homem crescido
Longe de casa, mas dentro de ti - tua infância levas sempre contigo
Terás sempre a Lição do Lápis com Borracha para te fazeres vencedor
E dizer ao fim da jornada que erraste e acertaste no sudário das somas

Porque como o lápis veio da árvore e a borracha também
Geraste um livro, plantaste um filho, escreveste uma vida
Com a eterna lição de tentar, evoluir, mudar, acreditar sempre
Lição da mestra que te ensinou; que enfeitaste com lápis de cor

Da vida só levamos mesmo o amor e o humor que deixamos
E a saudade ainda é a maior e a mais pura forma de amor
Por isso continua seus traços, desenhos, escritas e livrações
Páginas de vida colorindo teu aprendizado de vitórias feitas a mão.



Silas Correa Leite

– Estância Boêmia de Itararé, Santa Itararé das Letras
Especialista em Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos
Site:

www.itarare.com.br/silas.htm

- E-mail:
poesilas@terra.,com.br

Poema da Série “Eu Era Feliz e Sabia Que Era”, Livro inédito do Autor
Autor do livro “CAMPO DE TRIGO COM CORVOS”, Contos, Editora Design, Finalista do Prêmio Telecom, Portugal, à venda no site


www.livrariacultura.com.br

Blogue premiado do UOL:

www.portas-lapsos.zip.net


Escrito por artistasdeitarare às 12h30
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