Eu Quis Fazer Uma Canção Para o Tom ZéSilas Corrêa LeiteOuça: [ 56kb ] - necessário Windows Media(Interpretação livre de Antônio Abujamra) Eu quis fazer uma canção para o Tom ZéAquele mesmo bahiano terráqueo de Irará Na transcriação de fala mansa quase éUm caboclo que em si ainda canta a sabiáPorque Tom Zé proseia fácil e ousa tantoE tira e soma timbres até de velhos jornaisE desse confeito em letra e música o cantoPertinência acalanto em eito próprio trazEu quis fazer uma canção para o Tom ZéSessenta e sete anos e ainda tão molequeTudo de si é banda que ele afina bem atéSoar-se bumbo bamba taperá sem brequePorque Tom Zé eletriza a transmutaçãoDe sua voz cabeça tronco e babel sonoraNa sua ilógica tripolar é luar de ser tão...Escala diapasão cabeça e outra pandoraEu quis fazer uma canção para o Tom ZéNos contrapontos de invencionices zilFormiga preta reacendeu cheiro de féA mãe pintou o pai e ele soa bem BrasilPorque Tom Zé trama a rítmica ancestralNo seu pastel de couve a música é ventoDe Irará a Joselita foi caminho suave trigalE ele veio árvore sem nodal ou documentoEu quis fazer uma canção para o Tom ZéA Rua Quixabeira trouxe em íntimo de siEle faz chover em lagarto pedrês que éMágico do cipó inventa um bemol em miPorque Tom Zé é cerâmico e corpóreo simNo táctil do que ao ser de si se sonorizaÁgua que anda pirilâmpada ou arlequimUm mulo-com-cabeça que se perolizaEu quis fazer uma canção para o Tom ZéFilete bípede e ninhal de tanto encantárioBorboleteando recriações de lavras atéDe Irará pondo-se em si louvre sudárioPorque Tom Zé deve ser tantos e ai de siMultiplicando o zero para nos encantarMeio alumbrado e muito urbano zumbiBendito o ser de si que ele é todo lugar.Sobre o(a) autor(a):Poema da Série Sampa Geração 450Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htmE-mail: poesilas@terra.com.brLivro O RINOCERONTE DE CLARICE no sitewww.hotbook.com.br/int01scl.htmPoesia apresentada no programa 184